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há o perigo de um grito lindíssimo

quando andas assim comigo no invisível




Mário Cesariny

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017



A grande solidão que me penhora
os trastes com que enfeito a minha casa.
Por dentro, por fora.
Em mim e no que os meus olhos tocam
até ficar vazio,
senhor de tanto frio
e paredes brancas.

A grande solidão feita de cinzas
de cigarros fumados.
De mortos vivos.
De vivos mortos.
Onde encontrarei quem me refaça
a casa.
Lhe dê a marca
intacta
da minha solidão?
Somente paredes nuas.
Amigos mortos e vivos
na solidão.


Ruy Cinatti
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