falam dentro de mim as aves
o voo das nuvens no interior dos meus sonhos
habitadas por crianças. muros. frágeis sílabas de orvalho.
tenho caminhado muito . pai. do lado de dentro das ruas
o regresso é haver ontem. casas. tectos.
lâmpadas acesas no interior dos lençóis.
escavo as noites com pérolas . para olhar a treva das águas.
há o que escrevo nas paredes do vento
com a seiva das árvores
vejo toda a eternidade embaciada nos vidros
fechados
das janelas dos teus olhos . que dão para o rio
ninguém sabe onde corre o livro do vapor dos barcos. nem eu própria.
perdi-me
nas asas do escuro do lume. na viagem.
deve haver pássaros espreitando as páginas
que as minhas folhas caídas respiram
lá longe. pai. os dias separam-se com poemas acesos na lua
ardo. ao canto do quarto.
na mansidão do vazio.
Maria Azenha
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