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há o perigo de um grito lindíssimo

quando andas assim comigo no invisível




Mário Cesariny

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terça-feira, 5 de abril de 2016



O Violinista toca as cordas,
Seu cabelo castanho-claro ele joga e balança.
Ele carrega uma espada ao seu lado,
Ele veste um hábito de pregas largas.

Violinista, por que o som frenético?
Por que você olha tão loucamente ao redor?
Por que pula seu sangue como um mar agitado?
O que o leva a uma reverência tão desesperada?

Por que você toca?
Ou (por que) o barulho de ondas selvagens?
Para que possam martelar a costa rochosa,
Aquele olho está cego, aquele seio inchado,
Esse grito da alma a leva para o Inferno.

Violinista, com desprezo você rasga seu coração.
Um Deus radiante lhe emprestou sua arte,
Para deslumbrar com ondas de melodia,
Para elevar ao céu sua dança luminosa.

Como assim! Eu enfio, enfio sem falha
Minha espada negra-sangue em sua alma.
Que a arte de Deus nem quer obscurecer,
Ela salta da cabeça para as névoas negras do Inferno.

Cultiva corações enfeitiçados, cultiva sentidos reais:
Com Satanás eu descobri meus ideais,
Ele dá os sinais, dá o compasso para mim,
Eu toco a marcha da morte livre e rápida.

Eu devo tocar escuridão, eu devo tocar luz,
Até que as cordas quebrem meu coração sem dó
O Violinista toca as cordas,
Seu cabelo castanho-claro ele joga e balança.
Ele carrega uma espada ao seu lado,
Ele veste um hábito de pregas largas.


Karl Marx
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