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há o perigo de um grito lindíssimo

quando andas assim comigo no invisível




Mário Cesariny

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quarta-feira, 20 de abril de 2016



Enquanto espera a hora combinada
De o remeter com flores a Corina,
Ovídio oscúla o anel que lhe destina
E em que uma gema fulge bem gravada.

— Como eu te invejo, ó prenda afortunada !Com ela vais dormir, mimosa e fina,
Com ela has-de banhar-te na piscina
Donde sairá, qual Venus, orvalhada,

O dorso e o seio lhe verás de rosas,
E selarás as cartas deliciosas
Com que em minh'alma alento e esp'rança verte...

E temendo (suprema f'licidade!)
Que a cera adira á pedra, ai! então ha-de
Com a ponta da língua humedecer-te!
Amor Verdadeiro
Tua frieza aumenta o meu desejo:
fecho os meus olhos para te esquecer,
mas quanto mais procuro não te ver,
quanto mais fecho os olhos mais te vejo.

Humildemente atrás de ti rastejo,
humildemente, sem te convencer,
enquanto sinto para mim crescer
dos teus desdéns o frígido cortejo.

Sei que jamais hei de possuir-te, sei
que outro feliz, ditoso como um rei
enlaçará teu virgem corpo em flor.

Meu coração no entanto não se cansa:
amam metade os que amam com espr'ança,


Eugénio de Castro
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