Já mandei ler tantas sinas
Na palma da minha mão
E todas elas constatam
Que as buliçosas meninas
Dos teus olhos é que são
As meninas que me matam
Meninas tão menineiras
Azougadas, leves finas
Descrentes, loucas, profanas
São pequenas feiticeiras
Em janelas pequeninas
De rosadas persianas
Essas meninas são luzes
Que talvez Nossa Senhora
Não tenha iguais no altar
Mas Deus me livre das cruzes
Que há-de ter pela vida fora
Quem delas se enamorar
Essas meninas bulhentas
Mas de afeição tão suave
Não deixando de bulir
Por elas passo tormentas
Fecha as meninas à chave
Que são horas de dormir
Henrique Rego
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