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há o perigo de um grito lindíssimo

quando andas assim comigo no invisível




Mário Cesariny

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quinta-feira, 19 de março de 2015


Ó Capitão! Meu capitão! Nossa terrível viagem se cumpriu,
O Navio cruzou tormentas, é nosso o prêmio pio,
O porto vê-se ao perto — os sinos dobram, o povo espera,
Olhos que à quilha firme tornam, desta nave forte e fera;
Mas Ó coração, coração!
Ó gotas de vermelho brio,
No convés em que ele dorme,
Deitado morto e frio.

Ó Capitão! Meu Capitão! Te levanta, escuta os sinos,
A ti se desfraldam bandeiras — a ti se dirigem os hinos,
Vê quantas flores e coroas, tantos atavios cobrindo a costa,
Vê a multidão que clama — comovida massa, a dor à mostra;
Eis a mão de quem te ergue!
Aqui, capitão! Aqui, pai gentil!
— Ah! O sonho se desfaz no deque,
Onde quedas morto e frio.

Meu Capitão já não responde, a boca sem vigor e viço,
Meu Capitão já não se move, cessa o pulso, o corpo rijo,
Sã e salva a nave ancora — o périplo se encerra e tudo finda,
Da viagem vil a nau retorna — o grande prêmio, a glória vinda;
Ó clamor das praias, Ó dobrar dos sinos!
Só me restar andar sombrio,
No convés em que ele dorme,
Deitado morto e frio.



Walt Whitman
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