Ao começar a manhã
num mundo bem plantado
cada coisa é ela própria.
Quietude da labareda
desta rosa que se abre
lá entre os braços do ar.
E quietude da pomba
chegada de não sei onde,
plumas brancas e olhos rápidos.
Frente a frente, perto e longe,
a rosa a despentear-se,
a pomba que alisa as penas.
O vento não possui corpo
e atravessa as ramagens:
tudo muda e nada fica.
A rosa tem duas asas,
faz ninho numa cornija
sobre a vertigem pousada.
A pomba é flor e é chama,
perfeição que se desfolha
e em seu olor ressuscita.
O diferente é já o mesmo.
Octavio Paz
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