Varando a noite, com
Brandura, brancura,
Silêncio absoluto,
Do artelho aos narizes
Tomamos posse da argila
E do ar adquirido.
Ninguém nos avista,
Nos detém, nos agride;
Evadem-se os grãozinhos.
Punhos suaves insistem
Em brandir agulhas,
O recheio folhudo,
Até o calçamento.
Nossos martelos, marretas,
Sem olhos e ouvidos,
De voz nem um fio
Alargam as gretas,
Ombro abrindo fendas. Nós
Vivevos a pão e água,
Migalhas de sombra,
Com modos afáveis,
Inquirindo pouco ou nada.
São tantos de nós!
São tantos de nós!
Somos estantes, somos
Mesas, somos humildes,
Somos comestíveis,
Aos trancos e arranques
Apesar de nós mesmos
Nossa espécie se expande:
Pela manhã, havemos
De herdar o planeta.
E nosso pé porta adentro.
Sylvia Plath
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